sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O que era.

Porque nunca desejei tanto

as nossas inutilidades

de volta.


(Homenagem ao Marmota)

Mágoa.

Eu sou a prova
de que as pessoas
não mudam.
Você pisa
no meu coração
e eu ajo
como se fosse
a primeira vez.

Tudo que quis.

Dizem
que tudo que temos
é merecimento.
Assim concluo
que meu tudo
mereciso
será um eterno
nada.

Hino da solidão

Nem junto deles
ouço minha voz
e você não acredita
quando eu digo
que sei o hino da solidão
de cor.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

À primeira vista.


O tempo tem estado

uma loucura.

É só mais um poeta

se apaixonando.

Primeiro passeio.

Foi assim
de repente
senti fraqueza
nas minhas pernas.
Era só você
passando por ali.

Ursinho de ninar.

você foi embora.
Fique ali
inerte
com a saudade
já insistindo em apertar.
Me senti como um menino
sem seu ursinho de ninar.

Pela risada mais gostosa

Eu não achava
a vida divertida.
Até conhecer
você.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O vôo


Todo poeta
queria saber voar.
Poder tocar o céu
criar nuvens de papel
e ficar bem longe
daqueles que o machucam.

Silenciosamente.

Disse
mas não queria dizer
nada.
Às vezes
o silêncio é o melhor discurso
de um coração
em pranto.

Pinceladas oportunas.

Levei um tempo
para me acostumar
com as outras cores.
É o resultado
de viver
por tanto tempo
em preto e branco.

It's a sin.

Eu disse
que tinha esquecido.
Bobagem.
Mulheres são o arquivo
de todos os pecados.

O céu e o vento.

O céu
foi encoberto
e tudo
foi tomado
pela ventania.
De certo
há um poeta
mergulhado em frustração.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O piano do silêncio.


Venha

e me faça sentir

o que você sente

por mim.

Nada deveria ser

apenas

uma simples troca

de sorrisos.

Toque a melodia.

E ignore

quando eu disser

adeus.

Nada como mentir.

Eu disse
desculpe.
Nada vai mudar
Mas posso fingir
que ainda sou uma pessoa
decente.

Alvorada minguante.


Nunca confiei
no que realmente sou.
Então ignoro
o que você fala de mim.
Você deveria
fazer o mesmo.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Retrato.



Justifico

minha incapacidade

de me aceitar

com a poesia.

Nenhuma poeta

jamais escreveu

coisas boas

de si mesmo.

Aquarela.

Passei a borracha
no que passou.
É esperar o que vem.
O problema
é que meu lápis colorido
quebrou.

Trovoada.

Não há palavras bonitas
para expressar
o que eu sinto hoje.
Só trovões e palavrões.

Teatralmente.

Hoje
parei para pensar que talvez
o ser não seja tão significativo
para um trovador destraído
como eu.
A minha maior peça
não precisa de anti-heróis.

Artificando.


Minha vida

sempre colidiu

com as pinturas energéticas

de três cores.

Imagino

que ela admire

o abstratismo.

Lenda.

Dizem que a vida
surpreende.
Ainda bem
que nunca acreditei
em lenda urbana.

Pouco muito.

Sempre quis pouco
nunca quis
nada demais.
Mas aparentemente
o pouco
saiu de liquidação.

Sem título²

Cansei de esperar.
Eu sempre digo isso.
A prova de que minha voca
nunca reproduz
a verdade.

As pipas.


Reprimi

o direito de ser feliz

porque é isso

que poetas fazem:

dão linha ao vazio

e soltam pipas

com as emoções.

As coisas no chão.

Eu jogo
tudo
no chão.
Tudo é grão
e vão.
Pena que nada é pesado o suficiente
para cair
e quebrar
meu coração.

A pequena escuridão.

Está um pouco
cheio de escuridão hoje.
Isso não é nada.
Imagine tudo isso
com latejos de tristeza.

A dança.

A sincronia da vida
não existe.
Ao menos
eu nunca troquei compassos
com ela.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Só por sonho.

Gosto dos sonhos
porque neles crio coragem
de voar para perto do infinito
e gritar que não há nada mais bonito
que ver a alvorada do seu olhar.

Como poetizar.

Digo que sou poeta
para poder ter a desculpa
de escrever prantos
em garranchos.
Como agora.

Paz

Olho para as estrelas
porque elas são os olhos
de Deus.
E se eu me calar
posso ouvir a voz Dele
sussurrando
um amoroso boa noite.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

O pintor.

Foi ali
simples e ligeiro
que meu coração mudou
as cores
do meu mundo inteiro.
O amor
é um pintor pós-impressionista.

Pelo paraíso.

Às vezes
com meus botões
reflito e repito
que você não é
tão especial assim
e construo um paraíso
sem você.
E quase sempre
na minha solidão
lembro do descontrole
do meu coração
quando quase
acredito nisso.

Inexplicação.

Quando vi
estava assim
inexplicavelmente cabisbaixa.
Daí percebi
que era você que estava
ausente.

Solidão personificada.


O dia

que não deixo passar

prende-se ao dia

que deixei escapar.

O tempo

é um homem solitário.

Súplica.

A vida me ensinou
a amar sem datas
e a encarar as marcas
do que partiu.
Quero porque quero
um futuro,
e a realidade
há de permitir
que seja com você.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Individualismo.

E se eu gostasse
desse meu mundo
e de perder tempo
nas tolices do eu
profundo?
Aqui só tem espaço
pra mim.

Nada de liberdade.

Às vezes penso em mentir
ter a chance de fugir
e te livrar
de mim.
Tento me convencerde que um dia
você me agradeceria.

Drama.

Eu poderia ensaiar
e dizer
que nenhuma parte de você
mora mais em mim.
Eu poderia gritar
para todo mundo ouvir
espernear
espernear
e ensurdecê-los
com essas mentiras.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Imperfeição.


Você disse que me ama.
A mim
você não engana.
O amor não existe
quando sabemos
exatamente
como somos.

Não há troca.

Troquei a felicidade
pela possibilidade
de ser amada.
Se fiz boa troca
não sei
mas aceitei
ser acolhida
pelo melhor abraço
do mundo.

Causa perdida.

Parei
de pensar em você.
Digo isso
como se fosse possível.

Generalização.

Fugi
de toda a palavra
que você me disse.
Protegi-me
com meu ciúme
porque assim
me sinto certa.
São as táticas
das mulheres.

Crença.

Não acredito
na falha do amor
no soneto da triste dor
no que nunca foi dito.
Não acredito
na ira
na música que tira
no são e no benedito.
Queria apenas crer
em crer.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Sem título.

Eu sabia
você não.
A garoa vai continuar
mas o sol vai surgir.
Não, não vou fugir
porque nunca me arrependi
de nada do que fiz.

Nunca.

Queria odiá-lo.
Riscar seu nome
e sua música,
esquecer da única
verdade que persiste:
que tudo isso é impossível.