sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Pelo paraíso que eu tinha

Pena, muita pena
que seu paraíso
era longe do meu.
Mas amizades são fortalezas de luz
Distante de sombra e breu
Fazendo juz
ao silêncio que nos perseguia.
Saudade, muita saudade
da valentia da nossa paisagem única
da nossa melodia embriagada
de verdade.
Agora
faça companhia ao nosso Senhor
e orgulha-se de ser
um dos herdeiros do meu amor.




Para você, Marmota.

Olhe por nós.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Passeata


A vida é um conto.
Um livro de palavras infinitas
Um jardim de rosas bonitas
Um travesseiro
E doces sonhos.
É meu conto-de-fadas preferido
Meu pointe, meu lá menor
Um hino que sei de cor.
Pelúcias e Pantufas
Numa noite de inverno.
Cante e adore
Essa passeata
Do amor.

O salão da vida

O salão
Nunca está vazio.
O brilho
Nunca cessa.
A vida
Nunca corre sem música.
Silencie-se
E ouça o som
Da graciosidade.

Barco e Vela

Guarde as velas
Do seu barco.
Aconchegue
Seu peso
No meu abraço.
Ele foi moldado para você.
Vou manter o calor
E o conforto
Que a batalha mal resolvida
Te tirou.
Aqui tem sorriso e abrigo
Da tempestade
Que afastou sua alegria.
Venha e descanse.
Venha e livre-se do rodamoinho.
Aqui seu choro tem consolo,
Sua ira tem amanso,
Sua agonia tem alívio.
Aconchegue
Seu peso
No meu abraço.
Pode haver tormenta lá fora
Mas aqui seu barco pode velejar
Em eterna brandura.

O mergulho

A fina parte da vida
Estica-se
Enrola-se
Em mim
E em você.
É frágil
Mas poderosa.
É o que nos torna
Nós.
É o que nos faz
Dois inteiros
Caminhando
Lado a lado.
É o que nos enche
De palavras e sorrisos
E nos leva
A um mergulho
Sem fim.
Amo você
E
Amo você.

Campos de margaridas

Sufocar-me na caixinha
Que vida era aquela?
Fácil, fácil
Era enganar os sentimentos
E barrar qualquer tormento
Logo na porta.
Mesmo assim
Tempestades passavam
Pesadelos surgiam
Cicatrizes abriam.
E a caixinha já estava cheia.
Eu estava cheia,
Estava doía
De contorcer meu eu
Num espaço sem luz.
Então
Ouvi meu coração pedir brilho
Brilhe! Brilhe!
A vida te espera lá fora.
Assim
Levantei a tampa da caixinha
E sai.
Estava livre
De todo medo
De todo ferimento
Que criei e alimentei por tanto tempo.
Estava viva
Para uma vida
Que eu temia sem motivo algum.
Descobri e conheci
Meu eu.
Sorri.
Pensei:
Que maravilhosa é a vida
Aqui fora.
Um verdadeiro campo de margaridas.
Meu campo de margaridas.

A caixinha

Minha caixinha era quente.
Parecia ser segura.
Estaria livre daquilo que me machucava
Estaria longe do que me entristecia.
Achei que daria para viver assim,
Daria para crer e tecer a vida dali de dentro.
Quem sabe
Quando o dia estiver bonito
Eu saia para dar uma voltinha?
Assim eu vivi
Por muito tempo
Tentando achar
O que tinha perdido
Tentando entender
O que nunca soube
Tentando mostrar
O que eu poderia ser
Mas não era.
Estava alerta para qualquer perigo
Pois assim tudo que eu precisava fazer
Era me sufocar
Na minha caixinha.

Eu e sonhos.

Eu e sonhos.
Sempre foi assim.
E sempre será.
Não nasci da barriga
Mas fui criada pelo coração.
Conheci logo cedo o amor,
A amizade e a generosidade;
Conheci logo cedo outra língua,
Outras estações,
Outras vidas.
E foi logo cedo que conheci também
A decepção
A dor
A distância
E a ausência.
Conheci o que era ser insultada
A outra face de tristezas
O abandono.
Assim, me refugiei numa caixinha
Bem isolada
Bem tímida
Por muito tempo.